Durante a megaoperação realizada pelas polícias Civil e Militar nos complexos do Alemão e da Penha são contabilizados 120 mortos, sendo quatro deles policias além de mais de 80 fuzis apreendidos. O governador Cláudio Castro (PL) admitiu nesta terça-feira que o combate ao tráfico de drogas excede a capacidade do Estado do Rio. Ele disse concordar com a frase da porta-voz da Polícia Militar que, na véspera, havia afirmado que a guerra entre facções ultrapassa os limites de atuação dos policiais fluminenses. Castro ainda cobrou ajuda do governo federal, sobretudo, dos blindados das Forças Armadas, mas disse ter recebido reiteradas negativas da União sobre o tema.
Os cadáveres foram retirados da mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde ocorreram os confrontos mais violentos entre policiais e traficantes. Em retaliação os criminosos fecham diversas ruas das zonas Norte e Sudoeste do Rio. Os bandidos usam ônibus e caçambas para bloquear as pistas. Segundo a Rio Ônibus, “devido à alta recorrência de ônibus utilizados como barricadas em diferentes pontos da cidade, não há mais como apurar todas as ocorrências. A mobilidade urbana está afetada em inúmeros pontos da cidade.”
O objetivo da ação desta terça-feira foi de cumprir mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho (CV), 30 deles de fora do Rio, escondidos nos dois conjuntos de favelas, identificados pela investigação como bases do projeto de expansão territorial do CV. Para a professora do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jacqueline Muniz, a operação foi amadora e uma “lambança político-operacional”. Movimentos populares e de favelas também criticaram as ações policiais e afirmaram que “segurança não se faz com sangue”. O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou ontem, em coletiva à imprensa, que não recebeu pedido do governador para apoio à megaoperação.
A cidade do Rio de Janeiro amanheceu em situação de normalidade, após o caos vivido nessa terça-feira (28). As forças de segurança do estado realizaram a operação mais letal da história, para combater o Comando Vermelho, com pelo menos 124 mortos. Em retaliação, os criminosos interditaram 35 ruas em diversos pontos da cidade, com veículos atravessados, latões de lixo, barricadas e pilhas de materiais em chamas.










