Festa para poucos? Questionamentos sobre custos e exploração comercial em Casimiro de Abreu

Screenshot

Em um único contrato firmado com a Prefeitura de Casimiro de Abreu, a empresa Cocobongo Serviços e Locações LTDA ficou absoluta na permissão de uso comercial de espaço a título precário e oneroso do Parque de Exposições Henrique Baptista Sarzedas, para exploração comercial, gerenciamento de organização, operacionalização, coordenação e execução de evento, para a realização da festa em comemoração aos 167 anos de Emancipação Político-Administrativa de Casimiro de Abreu, incluindo materiais, mobiliário, equipamentos, serviços de palco, suporte logístico e técnico, divulgação e registro, segurança e infrestrutura adicional.
O valor total não pode ser acessado no portal da transparência. Isso demonstra total falta de transparência, transformando a festa em desastre financeiro e estrutural para os comerciantes, para a prefeitura e para a população. A Cocobongo desde 2018 atende a prefeitura na organização de festas e eventos do município, fornecendo material, estrutura e organização de ações e festividades. Nessa festa, as reclamações contra a organização vão desde preços abusivos no estacionamento, estruturas deficitárias e perigosas para os usuários até prejuízo financeiro para os comerciantes que pagaram antecipado para comercializar seus produtos dentro da festa.
A tradicional festa de aniversário de Casimiro de Abreu, que deveria representar um momento de celebração para toda a população, começa a levantar questionamentos sobre a forma como sua estrutura comercial é organizada. A chamada “caixa-preta” da festa precisa ser aberta. Afinal, quem paga a conta e quem fica com os lucros?. A prefeitura de Casimiro de Abreu, segundo a fala do prefeito Ramon Gidalte, teria investido mais de R$ 2 milhões para oferecer a melhor festa de aniversário da cidade.
Segundo relatos de comerciantes e participantes, a Prefeitura disponibilizou o espaço, além de estrutura, segurança, iluminação e outros serviços públicos, enquanto uma única empresa concentrou grande parte da exploração comercial do evento. Diante disso, surgem dúvidas legítimas sobre o modelo adotado, os valores envolvidos e o eventual retorno financeiro para o município.
Reclamações
Além da questão da exploração pela única empresa no contrato, a festa foi motivo de reclamação tanto do público, quando dos comerciantes. O estacionamento explorado pela Cocobongo foi um dos motivos. O estacionamento, por exemplo, estaria sendo cobrado a R$ 25,00.
Outro ponto que chama atenção é o camarote. Para ter direito a adentrar no camarote cada pessoa deveria pagar R$ 150,00. Por esse valor, além de qualidade de serviço, o local deveria representar segurança. Durante o show de Léo Santana, realizado ontem, o espaço ficou tomado pelo público, gerando reclamações sobre a superlotação e preocupações quanto à segurança. Um evento desse porte precisa garantir que a capacidade dos espaços seja rigorosamente respeitada, principalmente quando milhares de pessoas estão reunidas. Podia se ver o piso balançando diante da superlotação e também totalmente molhado devido às fortes chuvas registradas.
Os maiores prejudicados financeiramente foram os empresários que se aventuraram em participar da festa. Desde o pequeno comerciante ao maior todos pagaram antecipadamente para ocupar o espaço e comercializar seus produtos. A maioria chegou a pagar antecipadamente R$ 8 mil para ter permissão de trabalhar no parque. A reportagem do BOA SEMENTE ouviu diversos empresários. Um deles, cujo nome será preservado relatou que, “O evento está muito vazio. Muita chuva. Um prejuízo danado. Teriamos que pagar R$ 8 mil. Já pagamos R$ 3 mil para trabalhar, investimos quase R$ 20 mil aqui e praticamente não tiramos nem os R$ 3 mil. Não vendemos nem para pagar os funcionários”.
Outra comerciante, vinda de Itaboraí, informa que pagou R$ 6.700,00 adiantado para poder entrar na festa e não vendeu nada. A comerciante Iara que estava com uma barraca de Churrus e Batata pagou R$ 3 mil pelo ponto e também registrou prejuízo nas vendas. A outra empresária com o mesmo nome pagou R$ 8 mil para colocar dois pontos funcionando durante o evento. “Paguei antecipado porque senão nem poderia entrar. Não faturei nada, não dá nem para pagar os funcionários que trouxemos”, finalizou.
Os barraqueiros também demonstram insatisfação. Há relatos de comerciantes que teriam desembolsado valores próximos a R$ 8 mil para participar da festa, sem a garantia de retorno compatível com o investimento. Para quem trabalha durante o evento, o movimento nem sempre significa lucro: existem custos com montagem, funcionários, mercadorias, transporte e taxas.
Diante desse cenário, ficam algumas perguntas que merecem respostas públicas: quanto a Prefeitura investe na festa? Quanto arrecada? Quanto é pago pela empresa responsável pela exploração comercial? Quais são as contrapartidas? Quanto os barraqueiros pagam e quais garantias recebem? E qual é o retorno efetivo para os cofres públicos?
A festa é do povo de Casimiro de Abreu. Por isso, transparência não deveria ser uma opção, mas uma obrigação.
Mais do que discutir shows e atrações, é preciso discutir o modelo de negócio por trás da festa. Se há recursos, estrutura e serviços públicos envolvidos, a população tem o direito de saber quem ganha, quanto ganha e quanto o município ganha. Sem essas respostas, fica a sensação de que a festa, que deveria ser para todos, pode estar se transformando em uma festa para poucos.

Compartilhe