Antecedendo o feriado estadual, o prefeito Ramon Gidalte exonerou no dia 22, a pedido, o secretário Alex Sandro Jardim Maurino, da pasta de Agricultura e Pesca, após um relatório interno que já apontava fortes indícios de irregularidades em contratos de abastecimento da frota municipal. Junto com ele foram exonerados Maurício Dantas Viana e Lázaro Santos Mangifeste, ambos lotados na mesma secretaria nas funções de assistente técnico.
E aproveitando o diário oficial, o prefeito revogou a portaria de Pedro Gadelha que é agente administrativo para exercer o mandato de vereador, já que foi cassado. O Secretário Samuel fala sobre o assunto e as consequências da auditoria solicitada pelo prefeito Ramon em entrevista exclusiva ao jornal BOA SEMENTE.
O atual secretário de Turismo e Eventos, Samuel Barreto Neves, ao falar sobre a auditoria feita quanto estava à frente da pasta de Administração enfatizou “Inicialmente gostaria de dizer que lamento profundamente pelo vazamento de um documento oficial e sigiloso de um ambiente controlado, que é a administração pública. O memorando que foi tornado público foi feito através de plataforma digital segura e se tratava de uma comunicação interna, entre um Secretário Municipal, ordenador de despesas de sua pasta, e o chefe do poder executivo, sobre um assunto administrativo delicado que estava sendo tratado internamente”.
E quanto ao vazamento desse relatório interno Samuel afirmou “Espero que autor da ação possa ser identificado e responsabilizado pela atitude deliberada e irresponsável”.
Detalhou ainda que “Uma auditoria interna foi determinada pelo prefeito no mesmo dia em que ele tomou ciência das inconsistências apontadas no memorando, e os trabalhos ainda estão em curso. Por essa razão, não posso dar mais detalhes para não atrapalhar ainda mais as apurações cabíveis”.
Continuando, o secretário explicou que esse levantamento é um procedimento que qualquer administrador deve fazer “posso dizer que todas as ações adotadas por mim no âmbito do episódio narrado, são as esperadas para um servidor público no exercício de sua função, no atendimento dos interesses públicos, e visaram, além de interromper imediatamente manipulações questionáveis identificadas no sistema de gestão de manutenção e abastecimento que estavam ocorrendo no período da minha gestão, proteger os servidores citados, dezenas que foram envolvidos, aparentemente sem conhecimento ou consentimento”.
E que enquanto estava à frente da secretaria todos os demais processos de compra ou pagamento foram revisados e nenhuma outra irregularidade foi encontrada.
Quanto à possibilidade de um “racha” administrativo do grupo diante desse escândalo apresentado, Samuel assegurou que não há crise no governo e no secretariado atual. “Não existe crise aonde temas delicados são colocados à mesa e são tratados como devem ser tratados: com seriedade e responsabilidade. A constituição federal antes de dizer que os poderes são harmônicos ela diz que eles devem ser independentes. Acredito que fatos como os narrados, com inconsistências graves devem ser investigados e entendidos para que haja a devida correção.
Os poderes se equilibram de maneira natural, respeitando suas atribuições limites, e se existisse pressão para um lado ou para o outro, aí geraria um desequilíbrio entre os poderes e não em se trabalhar com a verdade e com a justiça.
Acredito fielmente que a Câmara Municipal, institucionalmente, e na figura de todos os vereadores, pessoalmente, pensem da mesma forma”.
E quanto ao assunto tornar-se público e respingar na imagem do prefeito Ramon, Samuel acredita que o ele fez a coisa correta ao determinar a instauração da auditoria. “Desde que tomou ciência do memorando enviado determinou a abertura de uma auditoria ampla para que todos os envolvidos pudessem ter a chance de se explicar e só depois de todas as apurações pudesse tirar as suas conclusões e adotar as ações que entendesse pertinente.
Como ordenador de despesa, secretário da pasta, eu fiz sugestões à luz do que me parecia correto naquele momento para a minha proteção, proteção dos envolvidos e preservação das condições ideais para a correta e transparente apuração dos fatos”.
Auditoria gera exoneração
As exonerações são resultado de um documento elaborado pela Secretaria Municipal de Administração em 16 de março de 2026, com registros de abastecimentos em veículos já leiloados, uso indevido de senhas de servidores, operações repetitivas fora do município e movimentações que ultrapassam R$ 700 mil em postos específicos, levantando suspeitas de um possível esquema estruturado envolvendo recursos públicos.
Alex Sandro Jardim Maurino, secretário Municipal de Agricultura e Pesca; Lázaro Santos Mangifeste um dos envolvidos em abastecimentos realizados fora do município em padrões considerados irregulares e; Maurício Dantas Viana que também é citado de forma recorrente nos registros de abastecimentos suspeitos e incompatíveis com o uso regular da frota.
O documento apontou ainda um aumento expressivo no consumo no início de 2026, seguido por uma queda brusca logo após a troca da equipe responsável pela gestão do contrato, indicando que as irregularidades podem ter sido interrompidas com a mudança nos cargos. E ainda recomenda que os envolvidos sejam exonerados, o que foi acatado pelo prefeito. Por enquanto, não foi divulgado o nome do novo secretário de Agricultura e Pesca.
Turismo focado nas riquezas locais
Falando sobre a pasta de Turismo, Samuel assegurou que em sua gestão “enxugará” o calendário de eventos “para atuarmos com mais energia e atenção para ações estruturantes do turismo. Precisamos transformar os atributos que possuímos naturalmente em atrativos turísticos, trabalhando a infraestrutura local para proporcionar boas experiências ao nosso público alvo, que é o turista que busca aventura, contato com a natureza e experiências, que geralmente vem acompanhado de sua família e retorna ao destino para reviver a experiência positiva”.
“Temos um município com uma diversidade incrível quando o assunto são as vertentes do turismo. Temos o turismo histórico cultural associado ao Poeta Casimiro de Abreu, a história dos nossos povos originários e tradicionais como os indígenas e quilombolas, nosso misticismo ufológico com um dos meteoros mais importantes do planeta, com 4,5 bilhões de anos que foi encontrado em nossa cidade, na fazenda das andorinhas em 1947, o episódio do pouso dos jupiterianos em 1980 que originou o documentário “Efeito Casimiro”, temos o turismo gastronômico com força total na Prainha e na Beira Rio, a receptividade ímpar dos nossos agricultores com o turismo rural, ativos naturais incontáveis como o rio São João, nosso pantanal fluminense, nossa serra com suas cachoeiras intocadas, a Ponte de Arame, a cachoeira da fumaça na Cascata, a prainha do Córrego da Luz, os esportes de aventura como o rafting no rio Macaé, escalada, trilhas e tantos outros atrativos com potencial incontestável’.
“Precisamos dar um passo atrás para ter fôlego para estruturar as atividades, arrumar a casa, e depois utilizar os grandes eventos, que são parte da nossa identidade recente, para atrair o público regional e vender de forma sustentável o que temos para oferecer ao viajante: um turismo de qualidade, renovador de forças, com tranquilidade mas também com adrenalina na dose certa, experiências que serão difíceis de esquecer mas que deixam marcadas na alma do turista aquela vontade incontrolável de contar pros outros e ainda de repetir muitas vezes”.
“Temos muito trabalho para fazer e a população precisa entender o objetivo do projeto a longo prazo. Nem sempre conseguiremos atender as expectativas pessoais de todos, mas precisamos que confiem no trabalho que estamos estruturando porque o turismo precisa ser encarado como uma atividade econômica com potencial de sustentar o nosso município para além dos royalties do petróleo, porém, precisamos redesenhar os rumos e redefinir as prioridades nesse momento”.











