PF prende Márcio Canella, segundo deputado estadual mais votado no Rio

A Polícia Federal prendeu na manhã de quinta-feira (15) o ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) Márcio Canella, presidente do União Brasil no Rio de Janeiro e segundo deputado estadual mais votado do estado, com 197.178 votos. Também foi preso o delegado Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, indicado ao cargo pelo próprio Canella e ex-presidente do Detran-RJ.

A operação — oitava fase da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes — mira uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como estrutura de lavagem de dinheiro. Segundo um Relatório de Inteligência Financeira do Coaf, o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos. Moraes determinou o bloqueio de bens de até R$ 700 milhões, limitando a medida a 12 pessoas e 11 empresas.

Foram presos também quatro inspetores da Polícia Civil: Giovanni Gaspar Fernandes, Christiano Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira (Pablo Russo). Os dois últimos são apontados como suspeitos de operar o esquema de “laranjas” nos postos.

🔁 Histórico de prisões anteriores

Canella foi preso em flagrante em julho deste ano, durante a sexta fase da mesma operação, quando os agentes encontraram um fuzil de calibre restrito em seu carro. Na época, ele era pré-candidato ao Senado com apoio de Flávio Bolsonaro. A decisão de Alexandre de Moraes revogou depois sua prisão preventiva. Em setembro, o vereador do Rio Jorge Canella (União Brasil), coronel da reserva da PM e parente, também foi preso em flagrante por supostamente ter providenciado a arma.

A Procuradoria Regional Eleitoral tentou impugnar sua candidatura, mas o TRE-RJ liberou, e Canella foi eleito para seu quarto mandato na Alerj. Belford Roxo foi seu principal reduto eleitoral, com 133.956 votos.

📋 O que a PF aponta

As investigações afirmam que Canella nomeou secretários e abrigou em gabinetes chefes de organizações paramilitares e parentes de lideranças de milícias na Baixada Fluminense. Os alvos podem responder por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, entre outros crimes.

As defesas de Canella e de Marcus Amim informam que ainda não tiveram acesso completo aos autos e aguardam a análise do processo.

A PF cumpriu 6 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios do estado.

 

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