Federal conclui que contrato de Sóstenes é falso

Segundo a Polícia Federal informa há fortes indícios que aliados do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL) tenham forjado uma escritura pública de venda de imóvel. O documento foi apresentado para tentar conferir uma aparência de legalidade aos recursos em espécie encontrados no armário do flat do parlamentar, em Brasília. A Procuradoria-Geral da República também confirma o parecer da Federal.

Na investigação foi detectada que a escritura A escritura, que informava a venda de um imóvel em Minas Gerais pelo valor de R$ 500 mil em espécie, foi registrada em cartório em 30 de dezembro de 2025. A quantia em dinheiro, contudo, já havia sido apreendida pela Polícia Federal 11 dias antes, em 19 de dezembro após os agentes federais realizarem a busca e apreensão e encontrarem o dinheiro vivo guardado em sacos plásticos. Embora o papel registre que o pagamento em dinheiro vivo teria ocorrido em novembro daquele ano, os investigadores sustentam que a cronologia dos fatos reforça a suspeita de que o documento foi produzido posteriormente de forma retroativa, configurando uma tentativa de fraude processual.

Na época da apreensão, o parlamentar alegou à imprensa que os valores eram totalmente lícitos e oriundos de uma transação imobiliária legítima, justificando que manter o dinheiro guardado no flat se devia à “correria de trabalho”. Análises do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontaram que o suposto comprador não possuía capacidade financeira para arcar com o pagamento declarado.
Os investigadores não identificaram transações ou saques bancários nas contas do comprador que fossem compatíveis com a retirada de um montante tão elevado em dinheiro vivo próximo à data da suposta negociação. E as etiquetas encontradas nos pacotes de dinheiro apreendidos remetem a empresas sob investigação por saques vultosos em espécie, levantando a suspeita de que o montante seja oriundo de desvios de cota parlamentar e lavagem de dinheiro.
Sóstenes Cavalcante começou a ser investigado no ano passado junto do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) por um suposto desvio de verbas da cota parlamentar através de uma locadora de veículos – o que levou ao nome da operação que chega à terceira fase. A Polícia Federal aponta que a empresa não tinha sinais concretos de funcionamento regular e existia apenas como fachada para o uso dos recursos. As investigações envolvendo a empresa levaram à apreensão dos cerca de R$ 470 mil em espécie em um endereço do parlamentar e à apuração da origem dos recursos.

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