Coluna Adianto apresenta Mulheres na Revolução: entrevista com Cristine Takua, educadora e ativista indígena

COLUNA ADIANTO apresenta Mulheres na Revolução. Entrevista enviada pela colaboradora Aurora Liuzzi.

 

Quem você é?

Sou Cristine Takua, da Terra Indígena Ribeirão Silveira, que fica no litoral norte de São Paulo.
O que você faz?

Vivo como educadora em minha comunidade, na Escola Estadual Indígena Txeru Ba’e Kua-i. Formada em filosofia pela Unesp, dou aulas de todas ciências humanas. Também auxílio nos trabalhos espirituais da casa de reza, fazendo remédios com plantas.
Sou representante da comissão yvy rupa por SP, e sendo assim atuo em questões políticas, buscando melhorias para nossas comunidades indígenas, no que tange demarcação de terras, saúde e educação.
Também sou diretora do instituto Maracá, que visa fortalecer o diálogo acerca da memória e museologia entre os povos indígenas

O que você considera um adianto?

Adianto é plantar seu próprio alimento e garantir o resguardo das sementes tradicionais para as próximas gerações.

E um atraso?

Atraso é aceitar esse sistema careta e esquizofrênico que o governo institui como educação, que não tem nada de útil para a vida de nossas crianças e jovens.

Como você vê o futuro do planeta terra?

Vejo o futuro da Terra com grande preocupação, pois é urgente a necessidade de se repensar os atos e reaprender caminhar sobre nossa mãe terra.

Como você vê a juventude atual?

A juventude atual está  meio desorientada com o excesso de informação que a rodeia. Também observo que muitos jovens estão se distanciando de sua cultura, com a ilusão da vida capitalista e consumista, que nos engole. No entanto, também vejo que existem alguns bem engajados remando contra a maré.

Conte um pouco sobre sua filosofia de vida…
Minha forma de ser se baseia em um conceito guarani mbya, o Teko Porã, que seria a busca pela boa e bela forma de Ser e Estar no mundo , tendo a sensível delicadeza de sentir sua própria sombra.

Como você vê a política brasileira?

Hoje no nosso pais a política  é ilegítima e desequilibrada. Por mais que falem numa nação democrática, não consigo enxergar uma democracia no Brasil, estando ainda a curtos passos tentando construi-la. No entanto, a cobiça e ambição dos podres políticos atropelam e dificultam o seu desabrochar entre o povo.
No meu município, na verdade vivo numa terra indígena que faz divisa com dois municípios, Bertioga e São Sebastião, vejo a política desses dois como um micro plano da política nacional, ela caminha na mesma esquizofrênica mania de Ordem e Progresso, onde a Floresta passa a ser uma pedra no meio do caminho dos interesses econômicos da elite alucinada

Qual a sua mensagem para os jovens?

Abram os olhos e unam os laços do Amor, a fim de cocriarmos formas resilientes de transformar e semear nosso planeta, através das Arte, da educação, da permacultura.

Quer saber mais sobre Cristine Takua? Acesse os links:

http://www.raiz.org.br/por-uma-permacultura-indigena

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=10155856766677990&id=650667989

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=10155852681147990&id=650667989

 

A coluna Momento Adianto é uma iniciativa da Associação Adianto para divulgar ações que sejam um “adianto” para nossa região. Caso você queira contribuir com alguma crítica, sugestão ou texto para publicação, envie mensagem para 22-99947-7764 ) e visite nosso site

www.adianto.org.br. e nossa página no FacebookAdiantoBrasil

Aurora Liuzzi nossa colaboradora é mãe, geográfa, professora, cozinheira e ativista por um mundo bom e justo para todos.

 




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